Finalmente, cerca de dois meses de privação imposta, tenho de volta o meu bichinho electrónico portátil de volta a casa. Foi uma odisseia que me pôs a pensar no raio de sociedade de consumo que temos actualmente e no prejuízo que teve a sua reparação na camada de ozono que ainda vai pairando sobre as nossas cabeças. O bicho avariou. Bloqueava. Não ia lá nem com abanões.
1º Passo: Falar com o amigo R. técnico de informática que não consegue resolver o problema. Fui de carro a casa dele. Ir e vir, dois quilómetros (ok, desnecessário admito, mas acho que chovia).
2º Passo: Ver na factura que o bicho ainda está na garantia. Está. Viagem até à loja onde o adquiri (70 quilómetros). Na loja dizem…”ah e tal, ligue para a assistência que é mais rápido e vão buscá-lo a casa”.
3º Passo: Ligo para a assistência.
Wrong way. “Tem que ir ao site e reportar a situação”.
4º Passo: Vou ao site, preencho os dados, assinalo que o comprei como meu dinheiro e não com as ajudas escolares do Governo (…onde estavas tu quando eu andava na escola…[desabafo]…) e que tenho um conhecimento mediano de informática. Respondem ao meu mail e dão-me orientações…
5º Passo: Ligar o bicho, seguir instruções e anotar o que aparece escrito no ecrã.
6º Passo: Responder ao e-mail da assistência a reportar o que vi. Dizem que deve ser do disco e mandam-me guardar os dados que tenho para não os perder (COMO?!?!? Perdão? Como se o computador não arranca?!?!) Dizem que me vão enviar uma unidade nova. Chega de Inglaterra (deve ser aí uns 2200 quilómetros até Lisboa mais 80 entre Lisboa e aqui). Enviam também uns dvs de recuperação de sistema (+ 80).
7º Passo: Pedir socorro ao amigo R. para que me salve a milhentas fotos e documentos pessoais, e que me substitua o raio do disco. (amigo R. liga e diz que o problema não é do disco)
8º Passo: Reporto a situação novamente. Digo que o disco afinal está bom, o problema mantém-se e pergunto o que devo fazer: Se recoloco o antigo disco ou mantenho o novo. Mandam-me manter o novo, devolver o antigo (novamente até Lisboa e até Inglaterra) e aguardar para que me venham buscar o pc inteiro.
9ºPasso: Pôr o bicho na caixa trazida pela estafeta e rezar para que ele não se extravie uma vez que não coloquei o número de idetificação que devia no sitio indicado (mais cerca de 80 quilómetros).
10ºPasso: Receber o bicho uma semana depois (outros 80 quilómetros).
11º Passo: Voltar a entregar o pc ao amigo R. para que este voltasse a guardar nele toda a minha documentação.
E os meus cálculos malucos dão conta de 4712 quilómetros percorridos, ou seja, um total de 732,4 kg em emissões de CO2 *.
É nestas alturas e noutras idênticas em que tenho saudades dos tempos em que íamos, quase em excursão à noite, ao homem da Picanceira levar uma televisão e a torradeira e ele reparava-os em dois dias. Por uma ninharia. E meia dúzia de quilómetros.
Às vezes sou mesmo antiga.*Cálculos feitos por mim e muito por alto com base em calculadores disponíveis na Internet. E pergunto aos especialistas…é um número válido este?