«”Sabes, antigamente esta aldeia estava praticamente deserta. Não se ouvia nada à noite. Uma vez tive um ataque de pânico quando olhei para o céu e pareceu-me que o céu estava a cair em cima de nós (qual receio do Asterix e Obelix)! Parecia-me que havia estrelas a mais e Monsanto ali ao lado parecia-me tão assustador! Só se via velhos na rua, tentava perceber as suas vidas e perguntava-lhes o que faziam em todos aqueles dias igualmente insuportáveis de Verão e no Inverno. As rotinas só mudavam mediante a estação do ano. Os horários seguiam-nos pelo sol e pelo estômago. O madeiro na rua a arder era o convívio preferido nos dias tristonhos de Dezembro.
Mas depois veio 2012. E vieram os migrantes. Famílias inteiras. Trouxeram apenas o que era seu. Eles próprios, os filhos, algumas roupas e mais nada. Deixaram casa, carros, televisões gigantes, ares condicionados, sofás, frigoríficos de duas portas, cartões magnéticos, portões automáticos e jardins com piscinas, comodidades. Regressaram ao que desprezaram e condenaram. Voltaram a andar com as unhas cheias de terra e foram obrigados, da pior forma possível, a reaprender a viver conforme as leis da nossa mãe, a Natureza.
E hoje aqui estamos. Conseguimos sobreviver, tal como os meus bisavós e avós o fizeram. Espero que tenhas percebido esta lição”.»
Mas depois veio 2012. E vieram os migrantes. Famílias inteiras. Trouxeram apenas o que era seu. Eles próprios, os filhos, algumas roupas e mais nada. Deixaram casa, carros, televisões gigantes, ares condicionados, sofás, frigoríficos de duas portas, cartões magnéticos, portões automáticos e jardins com piscinas, comodidades. Regressaram ao que desprezaram e condenaram. Voltaram a andar com as unhas cheias de terra e foram obrigados, da pior forma possível, a reaprender a viver conforme as leis da nossa mãe, a Natureza.
E hoje aqui estamos. Conseguimos sobreviver, tal como os meus bisavós e avós o fizeram. Espero que tenhas percebido esta lição”.»



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