Às vezes até parece que nasci e cresci até aos nove anos no mesmo sítio que ele. Entre os vales, onde se ouvia no Inverno a água a correr na ribeira que ainda hoje segue até à praia, e no verão…uma onda de sons de calor seco, árvores a estalar e bichos a rastejar entre a vegetação. Sem gente, vizinhos. Quando aparecia alguém era um martírio. Escondia-se. Por entre as árvores, fugia, andava, sentia-se livre.Hoje, se pudesse também o fazia. Hoje, (e quase sempre) irritam-me as pessoas. Que se metem entre mim e as prateleiras do supermercado, que me obrigam a dizer ‘bom-dia’ com um sorriso, que me riscam o carro, que são inconvenientes, ‘improfissionais’, que não percebem na minha cara quando não me apetece conversar, que se acham as maiores, que sabem de tudo, que prometem e não cumprem, e que interferem negativamente na minha vida.
Eu só posso abstrair-me e lembrar-me do Casal do Rossairo.



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