E da última vez que o fui ver, desabei. Não contive as lágrimas ao vê-lo ali imóvel, de olhos abertos, respiração cansada, cabos de várias cores a percorrer-lhe o corpo magro e ligados a máquinas, olhar fixo em mim, eu a falar a tentar dar-lhe força, genica e garra, mas sem conseguir mais do que isso. Queria dizer-lhe “força, recupera para ires para casa, ensinares à M.I. o que me ensinaste sobre ouriços, polvos, lapas e malhada, para falarmos de futebol e benficas”, mas não consegui. (afinal, o que é que se diz a uma pessoa naquele estado de saúde?) Disse-lhe, com a voz trémula, que nós vamos construir uma vida a dois – estamos a tratar disso, que vamos viver para perto do mar (do seu mar). Não consegui dizer mais nada. Não consegui incentivá-lo a combater a degradação do seu corpo para assistir a isso, para me ver um dia vestida de noiva ou com crias (seus bisnetos) a correr atrás de mim.
Naquele dia não aguentei vê-lo mais.
Aprendi....
Há 10 meses



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