A minha vida mudou há 27 anos. Deixei de ser única para começar a partilhar com ele o meu ‘Ticas’ e o meu cobertor de estimação. Lembro-me dele se parecer uma menina (comigo, claro) com carinha redonda, cabelo farto, encaracolado e com um sorriso simpático a levantar a sobrancelha. De chorar por um qualquer motivo e de ouvir a minha mãe gritar da cozinha: “S! O que é que fizeste ao teu irmão???”. “Nada, mãe!”. E não tinha mesmo feito nada. Mas ele apanhou as manhas e os benefícios de ser o mais novo. Mas eu não me importei. Só não gostei dos tempos em que o meu pai só me deixava sair de casa com ele atrás. Como se o ‘caganito’ mais novo que eu três anos (ou eu com 15 e ele com 12) me impedisse de fazer o que quer que fosse. “Dizes alguma coisa aos pais e ‘tás feito comigo. Vai lá jogar à bola com os teus amigos que eu vou ali com os meus”.
‘Tá feito um homem, equitador, cocheiro e ferrador nas horas vagas. Ensinou-me a montar a cavalo. E agora é pai de uma menina que tem a cara dele e também levanta a sobrancelha…
Aprendi....
Há 10 meses



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